O filme “Privacidade Hackeada”, não recomendaria para quem acredita no bom senso da humanidade. Quem não acredita deveria ater-se a filmes de ficção científica e não a filmes que nos apresentam como sendo a nossa realidade contemporânea.
A realidade é outra, claro, segundo o meu entendimento!
A realidade está fora da caverna na qual nós, voluntariamente, nos aprisionamos.
É disto que, entendi, tratar-se o filme Privacidade Hackeada: o que serve para um não serve para o outro. Com simplicidade assustadora, fomos convertidos em dois grupos de seres humanos. Os Sim que acreditam que fora da caverna podemos ver realidades e Os Não, que preferem permanecer dentro dela. A assertividade de cada lado não permite espaço para o erro.
Propus a mim uma terceira opção: começar tudo de novo depois de ter encontrado a porta de saída da caverna de Platão.
A parábola de Platão ilustra nos dias de hoje, – ao meu ver, claro está-, que nos encontramos aprisionados na Caverna da Tecnologia. Os prisioneiros acorrentados, porém, enxergam sombras de humanos projetadas nas paredes que os aprisionam.
Um deles ousa sair. Apesar de ofuscado pela luz do sol, vê coisas que jamais imaginou existir. Volta para libertar os demais mas acaba morto, tido como mentiroso.
Sei que a tecnologia quer se comunicar comigo, mas eu não sei como comunicar-me com ela apesar de ter-se tornado um personagem que se propõe a facilitar a minha vida. Conheço-a mas ela não é minha vizinha de porta, como se diz, de carne e osso; ela me enfurece porque detecta meus desejos ocultos. Tomo o cuidado de não incentivá-la a invadir os meus sonhos reais.
Sou mais uma vítima, mas cabe a mim sair da caverna sózinha. Voltar para resgatar os prisioneiros não é minha tarefa! Creio ser a tarefa de cada um desejar sair por entender que as sombras fazem-nos perder a capacidade de duvidar que, fora da Caverna de Platão, existe uma realidade a ser descoberta. A prisão na Caverna Tecnológica não quer que tornemos as sombras visíveis.
Creio que há um complô orquestrado por poucos, é verdade – conscientemente ou não – para nos manter passivos prisioneiros, dependentes das sombras por “eles” projetadas.
Se sairmos da caverna, perderão o seu poder!





























































