Este brilhante título não é meu; é de Alvin Toffler, em seu livro Future Shock. Embora publicado há cinquenta anos, a obra já previa as consequências da acelerada mudança em curso na época, projetando-as para o futuro – que é o nosso presente.
A acuidade de Toffler e sua percepção aguda são, por si só, um choque. Ele profetizou o que hoje nos é evidente e nos consome: a doença da mudança! Para alguns, ignorar ou retroceder é uma morte em vida. Render-se é enfrentar esse mal que nos consome física e emocionalmente, sem que nos receitem um remédio adequado, a não ser aceitá-la como incurável. Quando optamos por alimentar a doença, a informação anterior, ainda não digerida, já nos torna defasados perante a próxima.
Essas reflexões me ocorreram ao buscar na biblioteca o livro amarelado e bastante sublinhado. O estímulo foi a leitura de uma matéria do jornal ESP do dia 5, em seu caderno especial de 150 anos, sobre São Paulo em transformação, intitulada “Inovação”.
A reportagem começa assim: a montadora Toyota já está vivendo no ano de 2050! Em 2020, lançou experimentalmente, como teste, a “Cidade Tecida” (Woven City), erguida do zero em uma área de 700 mil m² aos pés do Monte Fuji. Hoje, cinco anos depois, ela começa a receber seus 300 primeiros moradores. Apenas empresas e cientistas são admitidos para estudos. Visitantes serão bem-vindos a partir de 2026.
O que mais me chamou a atenção foi a engenharia de um carro, o e-Palette – produzido pela Toyota, claro –, que pode tanto transportar pessoas quanto, pasmem, transformar-se em uma loja ou escritório sobre rodas. Seriam os novos ambulantes, similares aos que há tempos vemos no Vale do Anhangabaú?
Confesso que não dei tanta importância às casas de madeira em 3D movidas a energia solar, nem aos serviços domésticos totalmente robotizados. Da mesma forma, não me causou grande impressão a menção a carros autônomos ou drones entregando hambúrgueres – o que eliminaria entregadores e carteiros de vez e, quem sabe, faria com que deixassem de jogar bombas mundo afora.
Chamou-me a atenção, porém, o fato de que haverá sensores com Inteligência Artificial para monitorar e detectar a saúde dos moradores. Essa inovação realmente me interessou, mas fiquei pensando: onde estará escondido o clínico geral, aquele que, antigamente, ao apalpar nosso estômago, já diagnosticava se era uma apendicite ou amebas?
No entanto, o que realmente me fez pensar em me mudar para o Japão foi a existência de robôs para estacionar meu carro. Não sabemos se o custo será equivalente ao da zona azul de hoje, nem se os guardas “amarelinhos” – talvez, agora, obsoletos – saberão descrever a infração que, invariavelmente, cometo. (Embora eu tenha certeza de que a IA japonesa resolverá a questão das multas!)
Por outro lado, eis um choque que não é mais futuro: a notícia de que a Tesla, de Elon Musk, já recebeu licença para colocar em funcionamento sua empresa de robô-táxis. Indo além, obtive a resposta para um incômodo perene que carrego: a Waymo, uma startup do Google, já opera robô-táxis autônomos.
Entre as minhas poucas convicções, a principal é a de que a monumental concentração – não só de renda, mas de técnicos lobotomizados – constitui a desgraça do nosso mundo. (Meu cursor, aliás, sugere substituir “lobotomizados” por “robotizados” ou “politizados”.) O fato, porém, vai bem além dessas duas definições. Nem a “vã” filosofia, o discernimento, a consciência ou a percepção do humano parecem lhes tocar a alma.
Em contrapartida, me alegrou saber que em Cingapura instalaram lixeiras inteligentes, que trituram e compactam o lixo, armazenando cinco vezes mais resíduos do que as lixeiras comuns.
Finalmente, um bom uso para a galopante IA que se infi ltra em nosso corpo e alma, em contínua e implacável transformação! Essas lixeiras, sim, poderiam começar a transformar o mundo, livrando-nos da desordem dos descartes irregulares – e, sobretudo, começando a erradicar a pobreza absoluta que obriga crianças e catadores a revirar montanhas de lixo nos aterros brasileiros.





























































