Quem porventura estiver seguindo o meu site, bettinalenci.com.br, descer o mouse para o início das crônicas ali publicadas e depois subir para esta que ora escrevo, poderá observar como, em 10 anos, ocorreu uma vertiginosa transformação de nossas crenças, hábitos, costumes e seus limites. Pouco importa saber se estas mudanças comportamentais são reais ou fakes, uma vez que a fake fica valendo como verdade também.
Nas ponderações que farei sobre o documentário “Por dentro da Machosfera” (Netflix), vou expor o bofetão como o recebi, não só pela distância abismal em que me encontro da verdade ali contida. Minha única intenção aqui é conversar sobre uma reflexão assustadora que me vem sendo contada e pergunto: estaremos tateando em busca de uma nova identidade para a humanidade, afastada do que conhecemos até aqui?
Não há pretensão de construir um ensaio, mesmo porque não saberia escrevê-lo, mas recomendar que se assista a este documentário elucidativo que nos alerta, sem julgamentos, para uma realidade cuja consequência ainda é desconhecida a médio/longo prazo.
É claro que minha percepção sobre o referido trabalho jornalístico pode ser parcial. E, posso até levar a pecha de ser um tipo de inspetor julgador e moral da sociedade em que vivo. No entanto, como não me identifico com os conceitos violentos denunciados, apenas busco, consternada, levar essa informação para dentro do contexto familiar – principalmente a meus netos, que são jovens adultos – para refletirmos juntos, em que direção o mundo pode estar se movendo.
Neste documentário, há uma violenta revolta contra o establishment em todas as áreas onde este atua. O estilo ostentativo, agressivamente tatuado corpo afora destes jovens que advogam a sua não compliance com o que a sociedade produz, – o sistema, como o definem – não é o que mais choca! Esses influencers transgridem a liberdade que a lei lhes confere ao jogar a mulher de volta ao século passado, justificando, com conselhos absurdos, esse que jamais deveriam ter saído daquele lugar.
Não vejo novidade alguma no espaço deste promocional personalizado. O machismo explode em treinos absurdos para os músculos, em adereços cuidadosamente selecionados, geralmente o ouro, o carro e o relógio, e numa linguagem chula de malandro que ensina, ao passar a receita, a luz do dia, como é fácil tornar-se um milionário. O cenário é Miami e Bahamas, piscinas cristalinamente azuis e mulheres injetadas de bottox, languidamente pousadas em boias multicoloridas. Percebo que esta cena é exposta como uma silenciosa e raivosa vingança – bucólica sim, mas pronta para atiçar uma ação e ou reação violenta.
Enfim… quem não gosta, acha este tipo de exposição simplesmente feia, inadequada e passa para a próxima história. Contudo, penso, que o posicionamento midiático desta turma, não deveria ser ignorado. Revela-se gravíssimo, no meu entender. Expressa algo que já deveria, há muito tempo, ter-se fixado em termos civilizatórios: respeito às mulheres, suas conquistas e sua emancipação tardia! Estes homens – que exercem influência sobre seus adoradores adolescentes – exprimem, em atitude, parâmetros e absoluta convicção de como se deve conviver e tratar suas namoradas, amantes esposas, mulheres. Acredito que essa postura seja o funil que instiga o aumento do feminicídio ora em curso, além de também, instalar a expressão política de uma tendência, cada dia maior, na qual a violência das palavras formam frases disruptivas.
Queremos um futuro verdadeiramente evoluído, progressista, consciente dos enganos cometidos ao longo da história da humanidade, mas nos encontramos numa encruzilhada sem placa para nos informar qual a melhor direção a ser escolhida.
Creio que estamos perdendo o senso crítico! Escolhemos silenciar, nossa vontade de reagir aprisionada no desencanto geral!





























































