Quem porventura estiver seguindo o meu site, bettinalenci.com.br, descer o mouse para o início das crônicas ali publicadas e depois subir para esta que ora escrevo, poderá observar como, em 10 anos, ocorreu uma vertiginosa transformação dos nossos costumes e seus limites. Pouco importa saber se estas mudanças comportamentais são reais ou fakes, uma vez que a fake fica valendo como verdade também.
Nas ponderações que farei sobre o documentário “Por dentro da Machosfera” (Netflix), vou expor o bofetão como o recebi ,retornando-o com uma pergunta:
Está sendo reforçado , com persuasão e energia, homens machos convictos de que a mulher deve voltar à sua estação em que se encontrava nos anos 60/70?
É este macho quem provoca as atuais concepções e atitudes perigosas , briguentas e anti-civis da polarização de idéias?
O machismo dos machos feras explode em treinos absurdos para os músculos, em adereços cuidadosamente selecionados, geralmente o ouro, o carro e o relógio, e numa linguagem chula de malandro que ensina, ao passar a receita, a luz do dia, como é fácil tornar-se um bilionário. O cenário é Miami e Bahamas, piscinas cristalinamente azuis e mulheres injetadas de bottox, languidamente pousadas em boias multicoloridas. Não vejo novidade alguma no espaço deste promocional personalizado, contudo, percebo que este documentário está expondo uma silenciosa e raivosa vingança – bucólica no cenário – mas pronta para atiçar uma ação e ou reação violenta.
Estes homens – que exercem influência sobre seus adoradores adolescentes – exprimem, em atitude, parâmetros e absoluta convicção de como se deve conviver e tratar suas namoradas, amantes esposas, mulheres. Penso que essa postura seja o funil que instiga o aumento do feminicídio ora em curso, além de também instigar a expressão política de uma tendência, cada dia maior, na qual a violência das palavras formam frases disruptivas para uma humanidade já bastante fragilizada por conta de informações mal contadas.
Não tenho a pretensão aqui de construir um ensaio mesmo porque não saberia escrevê-lo, mas posso recomendar que se assista a este documentário elucidativo que nos alerta, sem julgamentos, para uma realidade cuja consequência ainda é desconhecida a médio/longo prazo.
Meu movimento é levar essa percepção para dentro do meu contexto familiar – principalmente a meus netos, jovens adultos – para refletirmos juntos, em que direção o mundo pode estar se movendo.
Penso que o posicionamento midiático desta turma de influenciadores não deveria ser ignorado. Revela-se hoje deste modo e depois de amanhá ?
Expressa algo que já deveria, há tempos, ter-se fixado em termos civilizatórios: as sofridas conquistas das mulheres na luta pela emancipação tardia. E, idem, aqui e agora, nos fazer reagir sobre os extremos sob os quais uma maioria, despercebida, está sendo conduzida! .
Desejamos um futuro menos pré-histórico, que continue a progredir, consciente dos enganos cometidos ao longo da história da humanidade.
Mas como ? se nos encontramos numa encruzilhada, ainda em construção , em cima de uma inteligência que não é do Ser Humano?
Nós humanos, ao errar, ainda temos a possibilidade de concertar, retroceder as coisas com nossa inteligência, mas terá a IA a mesma capacidade ou vai nos deixar na mão dos machos fera?
Creio que estamos perdendo o senso crítico, nossa vontade de reagir aprisionada no desencanto geral!





























































