Teria eu amado mais, caso não tivesse dúvidas sobre a existência de Deus? Teria amado antes?
Não sei a data, mas ainda muito jovem, lembro ter perguntado ao espaço cinza da minha alma se Deus ou o marceneiro haviam criado o pé da cadeira na qual eu estava sentada.
Hoje, não mais olhando para um pé de cadeira, sabedora de que o seu criador foi o marceneiro, ainda pergunto ao mesmo espaço: Deus existe?
Por muito tempo tive inveja de quem dizia ter encontrado Deus como se tivesse encontrado um amigo no cafezinho. Ao ser invocada, com tanta certeza, a busca por uma resposta crescia como o bolo e seu fermento.
Vejo o mar, o verde, as estrelas grudadas no céu: na Natureza acompanho o fio da Criação.
Caso tivesse caído na malha fina da seleção divina e fosse nascida para acreditar na existência do Divino, a Ele teria que dedicar minha atenção e afetuosidade e, com certeza, no fim e no fundo de minha parte má, tornar-me-ia intolerante com aqueles que negassem sua Existência. Suponho que, ao acreditar em Deus, a Ele precisaria dar uma das fatias do meu amor, condição que me falta por necessidade de dedicar ao mistério de viver toda minha atenção. Tenho medo de que, ao acreditar na Sua Existência, perca de vista o parco indivíduo construído no dia a dia.
Não acreditar nos insere na natureza mutante.
Não acreditar na sua Existência não o torna inexistente. Conforta saber que há uma possibilidade d’Ele gostar de todos nós, seus filhos de criação. Conforta-me saber que Ele gosta quando investigo a sua Existência. Gosta quando descubro que viver faz tanto sentido quanto morrer.





























































