À noite, sombras projetam a silhueta de gente solitária caminhando pelas alamedas da cidade grande.
Ao caminhar, a cada vez que eu pisava na soleira de um prédio, a calçada clareava e minha sombra intrusa – que a cidade grande tanto teme -escondia-se ofuscada pela ousadia.
Um prédio atrás do outro, uma luz atrás da outra, intrometendo-se no meu passeio obrigando-me a correr atrás da sombra que só a mim pertencia. Meu medo era de que ela se desprendesse de mim e que eu nunca mais a encontrasse.
A cidade grande não é o lugar para vestirmos nossa Existência. Tem sombras demais! É do homem a sombra da solidão.
Ao passear, todas as noites, madrugada adentro, com minha cachorra Lola, penso sobre a diferença entre solidão e isolamento.
Lola querida, o que você reconhece na sombra que anda à sua frente?































































Triste fiquei ao constatar que, vivendo na solidão, acabei gostando da opção de isolamento que ela proporciona. Difícil está é reaprender a conviver com o retorno dos hábitos (em referência ao seu “Silêncio vazio de hábitos”) após décadas e que, sinceramente, nunca falta senti. Seria a ausência do amor? Ah! O tempo! Senhor absoluto que, a seu mando e comando, tudo muda.
Adorando ler seus textos! Obrigada, Bettina!
Cristina, cara
Talvez o texto de Lola e o Silencio Vazio de Hábitos tenham muito haver um com o outro.
Ambos se ligam melancolicamente ao vazio. O vazio de hábitos é um tipo de solidão. Outra solidão pode ser esvaziada quando Lola por exemplo, traz seus ossos até mim ao perceber que estou irremediavelmente triste, justamente porque os hábitos existentes mudaram ao meu marido sair porta a fora para não mais voltar.
Obrigada por gostar de me ler.
Suas fotos tbm são muito lindas. Sinto pela sua prima.
Saudades e’ outro bom tema para a escrita e foto!
Bj
Bettina
Prezada Bettina,
Grata pelas generosas palavras.
Deliciando-me com o seu 45!
Beijo,
Cristina
Obrigada cara Cristina.
Continue me acompanhando pois desta forma você me passa o maior incentivo para continuar!
Retorno suas “generosas palavras” para mim.
O 45 é uma grande história da minha vida.
Beijos Bettina.