A busca incansável de transformar pessoas de carne e osso em criações de IA seria uma forma de driblar o medo da morte? A resposta mais imediata é sim – é a versão contemporânea de nosso desejo por eternidade.
Como distinguir o real do artificial nesta não mais novidade? Estes IATOS, digo, seres criados pela IA, morrem como nós ou apenas desaparecem? Entendo serem estas perguntas absolutamente sem nexo.
Mas, segundo um artigo que acabo de ler, a resposta surge de maneira inesperada e poética: identifica-se o sorriso humano por ser assimétrico, ao contrário do contorno pasteurizado das bocas dos IATOS. O sorriso humano é marcado por possíveis imperfeições. Risos e Sorrisos humanos contam histórias!
No passado, muitas pessoas não eram donas de seus dentes. Eles apodreciam, mesmo em boca de reis. Até bem pouco tempo atrás, os dentes amarelavam, as obturações eram visíveis, a gengiva estava fora do lugar. Um conjunto de atributos sobre as imperfeições humanas. É provável que uma boca e seus dentes desenfileirados, pequenos ou grandes demais, não tivessem o privilégio de serem atraentes, mas poderiam ser substituídos, ao menos, por uma voz capaz de emitir sons agradáveis aos ouvidos no lugar de baforadas de mau hálito.
Hoje, a imagem da perfeição em alta definição passou a ser a raiz de um novo conceito de estética. A arcada dentária sem defeito define a estética dos sorrisos vazios.
O sorriso e os dentes perfeitos, além de custosos, morrerão como nós?






























































