O estourar de fogos de artifício é um hino à vida. Mas é também um encerramento: o destino que se cumpre como o apagar do clarão no céu.
Para trás, ficou o que criamos. À frente, a esperança de voltar a olhar para o céu e, ao presenciar o novo espocar de luzes, saber que ainda estamos vivos. E assim por diante: a cada vez que as estrelas iluminarem o céu com cores de fogo, sabemos que mais uma etapa de nosso destino foi vencida.
Enquanto isso, em noites escuras, lentamente, chega o barqueiro.
Seu trajeto está traçado: navegar de uma margem a outra do Grande Rio. Nessa travessia, ele carrega pacotes, pacotinhos e pacotões. Vão sendo lançados para fora da embarcação, um a um, para que ela siga livre do peso que carrega.
O que o barqueiro transporta não é uma matéria exata de pesos e medidas. Em cada pacote, habita o destino criado por nós.
Muitos serão os embrulhos levados até a outra margem. Quando o barqueiro chegar ao seu destino, o barco estará vazio. A missão terá sido cumprida: todos os pacotes foram entregues ao Grande Rio. Não se ouve mais o espocar dos fogos de artifício. Em cada volume lançado à água, resta apenas a inscrição da memória do tempo que passou.
Eu? Eu amarro os meus pacotes com fita.
Guardo-os em um lugar de minha escolha, à espera de um novo espetáculo de cores ou de que o barqueiro, enfim, passe em frente à minha porta.































































Parabéns Bettina!
Marilia, muito obrigada. Fico feliz que você acompanha meu trabalho assim como eu acompanho o seu. Beijo