Na juventude, tive início profissional em história da arte, fotografia e reporter. Deixei de lado essas possíveis profissões para, durante o tempo que o destino me fez ser empresária porem, sem jamais deixar de me dedicar à escrita anônima. Gosto especialmente de crônicas e de criar histórias através de contos e novelas. Ao longo do tempo, construi uma visão de mundo mais sombria em busca de personagens alinhados às virtudes, às relações afetivas, erros e acertos nas suas vidas, acompanhando seus processos de transformação. Através destes recursos e de um olhar receptivo sobre o pensamento da alma, tento transpor para o papel o Real Cotidiano de todos nós.
Li em algum lugar – e para vocês deve acontecer o mesmo tantas são as mensagens – que as esqueço assim que clico na próxima.
O envio dizia: o número quarenta é simbólico. Para começar, a quarentena mundial. Dizia que o nosso ano, somado, é igual a quarenta.
Enquanto lavava louça com sabão e água fria – depois despejava água fervendo para não ficar o cheiro do detergente, – pensei em confessar vários tópicos que jamais confessaria não fosse o confinamento. O passado foi emergindo como as bolhas de sabão na pia.
Cheguei à casa de mil leitores. Estou muito contente com este resultado o que me faz desejar falar com vocês sobre este momento, com mais intimidade, digamos assim.
Não tenho a menor vontade de dar pitacos de como se comportar em casa, na rua, no supermercado. Não tenho mais pitacos para repassar de como desinfetar as mãos, os pacotes, não quero aumentar o pânico com os números que informam sobre milhares de mortos e ou contagiados.
Recebo a cada minuto piadas, informações, previsões desastrosas ou recomendações sobre como me proteger da Bolinha.
A Bolinha é esta Coisa que está no ar e que parece com um vírus. Colorida com um monte de espetinhos de borracha, lembra a bolinha que sou obrigada a apertar várias vezes para cuidar da minha artrite na mão.
Gosto de árvores. Mais do que de jardins. Árvores, todo mundo sabe, usando eufemismos, são nossas raízes, nos dão sombra, frutas e flores e, entre tantas outras dádivas, a possibilidade de declararmos um amor recortado na casca do seu tronco.
Morcego? Dragão? Não! A baleia azul do museu de História Natural de Londres. Foto: Bettina LenciLeia Também
Há dias não publico texto algum neste espaço. Por quê? Porque nada tenho a dizer! Pode ser que este momento dure ou até desapareça. Escrever ficção é mais fácil! Pensar o contemporâneo, o aqui e o agora, foge ao meu conhecimento porque é tudo muito confuso. A informação eletrônica, endeusada como única fonte de conhecimento, reforça o dito popular: o próprio feitiço virou contra o feiticeiro. O feiticeiro não consegue mais me enfeitiçar!
Do alto desses ossos 20 séculos vos contemplam.
Museu de História Natural
Todo imigrante, fugido de perseguições, é estrangeiro no país que o acolheu. Este imigrante, quando volta a visitar suas raízes, reencontra sua pátria. Cheiros, paisagens, arquitetura, comunicação, roupas e cores lhe são familiares. Os detalhes parecem conhecidos, estão na lembrança vivida ou recontada por seus antepassados! É seu DNA. Não há como fugir das imagens…