Na juventude, tive início profissional em história da arte, fotografia e reporter. Deixei de lado essas possíveis profissões para, durante o tempo que o destino me fez ser empresária porem, sem jamais deixar de me dedicar à escrita anônima. Gosto especialmente de crônicas e de criar histórias através de contos e novelas. Ao longo do tempo, construi uma visão de mundo mais sombria em busca de personagens alinhados às virtudes, às relações afetivas, erros e acertos nas suas vidas, acompanhando seus processos de transformação. Através destes recursos e de um olhar receptivo sobre o pensamento da alma, tento transpor para o papel o Real Cotidiano de todos nós.
Existem dois espaços neste mundo nos quais gosto de ficar sentada, por horas, sem fazer nada. Um deles é o saguão de aeroporto. O outro, o saguão de hospital. Quando atrasa o avião, fico tranquila e esquecida da hora. Quando no hospital, fico sentada, sem outra saída. Por razões diferentes, ambos saguões estão sempre lotados…
Na maca, no antebraço um aparelho de pressão, no outro uma injeção de contraste cujo objetivo era dilatar todas as veias do corpo para saber a quantas batia o seu coração. A cabeça parecia que ia se separar do tronco, as pernas inexistentes, o corpo prestes a estourar. Durante torturantes 17 minutos achou que o…
Quem anda a pé em qualquer calçada, atento às pessoas que passam ao lado ou vindos em sentido contrário ou do outro lado da rua, armazena informações para montar a história do dia…
Logo não teremos mais porta-retratos sobre o criado-mudo para lembrar de um momento que se foi. Com uma simples pressão do dedo no celular, o filho envia a foto que tirou com a namorada para o celular da mãe do outro lado do oceano…
Li sobre a lápide nº12 inscrita no mármore branco a frase: “ a última morada é mais um quarto de passagem”…
Acho que a palavra mudança não significa colocar seus pertences no caminhão e mudar de casa. Talvez a palavra mais adequada possa ser translado de móveis e utensílios…
Ele tem uns ”oio engatinhado, assim ó” disse Mineirinho. O que ele queria expressar era que seu colega tinha um olho puxado como o gato ou um oriental tentando me demonstrar como era o pedreiro, seu compadre, que ele queria encaixar na minha obra como seu ajudante…
Fui comprar plantas para o jardim e acabei levando, além delas, dois gatinhos. Gatinhos sem dono, selvagens, criados entre plantas da Mata Atlântica…
Escapa-me a alegria do feliz natal e próspero ano novo. Ela some a partir do mês de novembro, inicio das decorações natalinas…
Não riam deste caixeiro viajante. Doem-lhe os pés, ardem suas costas. Por estradas poeirentas e rachadas, Cícero se locomove a pé, de burro ou carona…