Na juventude, tive início profissional em história da arte, fotografia e reporter. Deixei de lado essas possíveis profissões para, durante o tempo que o destino me fez ser empresária porem, sem jamais deixar de me dedicar à escrita anônima. Gosto especialmente de crônicas e de criar histórias através de contos e novelas. Ao longo do tempo, construi uma visão de mundo mais sombria em busca de personagens alinhados às virtudes, às relações afetivas, erros e acertos nas suas vidas, acompanhando seus processos de transformação. Através destes recursos e de um olhar receptivo sobre o pensamento da alma, tento transpor para o papel o Real Cotidiano de todos nós.
Um caderno quase novo chamou minha atenção dentro da lata de lixo do meu vizinho. Era destes usados nas escolas e que ao final do ano só servem para escrever os recados da casa. Continha várias páginas escritas em letra miúda, fora das linhas, quase ilegível. Li e fui tomada pela singeleza, bizarrice e…
Puxei as velhas cortinas e sentei-me ao pé da cama enjoado e reflexivo. Perguntei-me porque me encontrava em becos sujos em busca de histórias sórdidas para excitar homens e mulheres.
Todos os dias, antes do amanhecer, sobre a rua de terra que a prefeitura prometeu um dia asfaltar, escorrego no meu sono sempre atrasado.
Irene tinha um único desejo naquele momento: terminar logo com a dissertação que a professora mandou fazer como lição de casa. Ela tinha que falar sobre um desejo seu. Se não o fizesse direito, sua mãe ia ficar muito chateada e Irene não queria que ela ficasse triste com ela. Já tinha tido vontade de…
Só hoje entendi porque os votos de felicidade sempre chegam acompanhados de “muita saúde”!Um dia após completar 69 anos, acordei doída. Refletia, mais uma vez, sobre o tempo que passa. Sente-se, literalmente, no corpo, seus feitos e arrependimentos, dores e juventude. O doído do corpo, contudo, é do tempo que passou. A dor não…
Esqueci o assunto da crônica de hoje.Acho que o tema tratava, justamente, do esquecimento que me levou a divagar sobre o meu estar na terceira idade. Li que ao ir envelhecendo a gente vai se tornando transparente para quem nos olha. Não somos mais vistos. Não é verdade! Sou informada, insistentemente, que empreendendo uma série…
Hoje, na sala repleta de um laboratório à espera do chamado para um exame de sangue, observei mãe e filho. Ambos ocupados com seus smartphones, silenciados por fones de ouvido, não se falaram uma única vez.
“A distância entre ricos e pobres é muito grande. Como usar recursos limitados para conseguir ter uma mobilidade de classe?”. Em outras palavras, a tese de Woody Study para justificar o mercado promissor de seu aplicativo no Brasil é, na verdade, uma mistura fina de bordel com bolsa família.
Na boleia do caminhão, um abafamento que Rosa Maria aguentava como punição pelos seus pecados imaginados. O suor lhe escorria pela nuca, gotejando por entre os seios como lágrimas pedindo perdão.
Olhando pela janela do táxi, – ótimo lugar de se estar com o celular desligado – pensava sobre a tristeza.Um sentimento que não deixa a cidade cinza, nem a natureza menos sublime, ao contrário, as cores tornam-se mais vivas porque reais assim como a tristeza. A tristeza chega desossada de expectativas. É mais potente do que as boas e más, lembranças nostálgicas ou nenhuma.