Na juventude, tive início profissional em história da arte, fotografia e reporter. Deixei de lado essas possíveis profissões para, durante o tempo que o destino me fez ser empresária porem, sem jamais deixar de me dedicar à escrita anônima. Gosto especialmente de crônicas e de criar histórias através de contos e novelas. Ao longo do tempo, construi uma visão de mundo mais sombria em busca de personagens alinhados às virtudes, às relações afetivas, erros e acertos nas suas vidas, acompanhando seus processos de transformação. Através destes recursos e de um olhar receptivo sobre o pensamento da alma, tento transpor para o papel o Real Cotidiano de todos nós.
Não darei a Deus o direito de condenar-me. Quero julgar meus próprios enganos. Sou eu e não Ele que vive a dilaceração entre o bem e o mal. Não é ele que paga com solidão o meu engano. Tampouco pode explicar a miséria humana. Deus nos legou um desafio que Ele mesmo não saberia…
“A alma é aquela coisa que pergunta se a alma existe” (Mario Quintana) Lugar Conhecido é onde vive a inquilina, a alma do escritor! É ela que escreve, em letras diárias esculpidas no chão cinza da sua casa, os seus sentires. É um lugar para se estar e nele confiar. Lá está a…
Sei que existe o que não vejo. O invisível a gente encontra Entre o horizonte e o mar.
Abro meio olho. Alvorece através da cortina. Quanto tempo ainda falta para eu levantar? Preciso me certificar com precisão, mas me lembro do relógio chinês que comprei na papelaria – encantada com o fato dele projetar no teto a hora em vermelho. Na segunda manhã, igual a esta, já estava inutilizado. Conformo-me, então, em acompanhar…
Fiz tudo o que meu amado pediu antes de morrer: joguei suas cinzas ao vento, na encosta da montanha mais alta que já havíamos escalado. Cremá-lo, deixou um vazio cirúrgico: um corte perfeito, em mim suturado. Tivesse ele escolhido ser enterrado, ao menos seus ossos estariam presentes. Mas ele sumiu no pó. Ele sequer existe…
Parodiando Kant, o conceito de mundo é uma abstração que só o homem é capaz de criar. Cidade grande é como bandeira sem mastro: não tem dono, mas indica onde fica. São Paulo, por exemplo, tremula sem mastro, refúgio dos seus habitantes, os paulistanos. Conheci um artista dos anos 70, sem sucesso algum, que…
A sucuri estrangula sua presa, de surpresa. A dor, lerda, Sufoca o corpo. Quero estar viva na hora da minha morte!
Depois do meio dia sou minha crônica amanhã pó jogado ao vento das seis. Hora sagrada do Agnus Dei a vida vai dormir para morrer de manhã. O Tempo se desliga Eu viro pó como ele ventania.
Um dia, uma gata deu cria na gaveta do armário do meu pai, ele não viu e fechou a gaveta, amassando um dos filhotes. O filhote era preto. Havia sangue nas camisas brancas, não muito. Conclui que meu pai não era um assassino de gatos, pois havia fechado a gaveta de noite, a luz apagada.…
O quarto de um convento é um quarto de passagem no qual se entra, mas não se paga na saída. Se suas paredes fossem páginas escritas de uma revista feminina, estas estariam na seção de perguntas e respostas aos consultores sobre sexo. Porém, como são escritas em papel bíblia, elas castigam quem ali as inscreveu.…