Na juventude, tive início profissional em história da arte, fotografia e reporter. Deixei de lado essas possíveis profissões para, durante o tempo que o destino me fez ser empresária porem, sem jamais deixar de me dedicar à escrita anônima. Gosto especialmente de crônicas e de criar histórias através de contos e novelas. Ao longo do tempo, construi uma visão de mundo mais sombria em busca de personagens alinhados às virtudes, às relações afetivas, erros e acertos nas suas vidas, acompanhando seus processos de transformação. Através destes recursos e de um olhar receptivo sobre o pensamento da alma, tento transpor para o papel o Real Cotidiano de todos nós.
Esqueci o assunto da crônica de hoje.Acho que o tema tratava, justamente, do esquecimento que me levou a divagar sobre o meu estar na terceira idade. Li que ao ir envelhecendo a gente vai se tornando transparente para quem nos olha. Não somos mais vistos. Não é verdade! Sou informada, insistentemente, que empreendendo uma série…
Hoje, na sala repleta de um laboratório à espera do chamado para um exame de sangue, observei mãe e filho. Ambos ocupados com seus smartphones, silenciados por fones de ouvido, não se falaram uma única vez.
“A distância entre ricos e pobres é muito grande. Como usar recursos limitados para conseguir ter uma mobilidade de classe?”. Em outras palavras, a tese de Woody Study para justificar o mercado promissor de seu aplicativo no Brasil é, na verdade, uma mistura fina de bordel com bolsa família.
Na boleia do caminhão, um abafamento que Rosa Maria aguentava como punição pelos seus pecados imaginados. O suor lhe escorria pela nuca, gotejando por entre os seios como lágrimas pedindo perdão.
Olhando pela janela do táxi, – ótimo lugar de se estar com o celular desligado – pensava sobre a tristeza.Um sentimento que não deixa a cidade cinza, nem a natureza menos sublime, ao contrário, as cores tornam-se mais vivas porque reais assim como a tristeza. A tristeza chega desossada de expectativas. É mais potente do que as boas e más, lembranças nostálgicas ou nenhuma.
– “Por favor me leve ao Mube!- “Entro à direita ou à esquerda”? (Estávamos quase ao lado do Museu, mas chovia tanto que tive a sorte de ao menos encontrar um táxi. (Normalmente andaria até lá pelas alamedas arborizadas dos Jardins). Experiente tomadora de táxis, sempre me impressiona o fato de um taxista não conhecer…
Existem dois espaços neste mundo nos quais gosto de ficar sentada, por horas, sem fazer nada. Um deles é o saguão de aeroporto. O outro, o saguão de hospital. Quando atrasa o avião, fico tranquila e esquecida da hora. Quando no hospital, fico sentada, sem outra saída. Por razões diferentes, ambos saguões estão sempre lotados…
Na maca, no antebraço um aparelho de pressão, no outro uma injeção de contraste cujo objetivo era dilatar todas as veias do corpo para saber a quantas batia o seu coração. A cabeça parecia que ia se separar do tronco, as pernas inexistentes, o corpo prestes a estourar. Durante torturantes 17 minutos achou que o…
Quem anda a pé em qualquer calçada, atento às pessoas que passam ao lado ou vindos em sentido contrário ou do outro lado da rua, armazena informações para montar a história do dia…
Logo não teremos mais porta-retratos sobre o criado-mudo para lembrar de um momento que se foi. Com uma simples pressão do dedo no celular, o filho envia a foto que tirou com a namorada para o celular da mãe do outro lado do oceano…