Copo de Cristal
Ontem, passando pela Av. Sumaré, vi um facho de luz, um brilho desconhecido, ao lado de um mendigo.
Ontem, passando pela Av. Sumaré, vi um facho de luz, um brilho desconhecido, ao lado de um mendigo.
R.M. Rilke escreve a um jovem poeta do século XXI: Paterson, você é um poeta e pode ignorar, disfarçar, mas sofre ao não se dedicar em tempo integral à sua alma. Poeta e alma são irmãos siameses. Não é importante se nem sabem quem ou o que você é!
– “Bateu de frente com o carro de uma mulher, morreu na hora”, foi a fala do moço do Instituto Médico Legal que pedia para a família vir buscar o corpo.
Busco um arquivo nas várias gavetas entreabertas da minha caixa preta! Ela não está conseguindo cuspir as imagens que procuro. Queria definir expressões faciais das pessoas que amei. As que expressavam brilho nos olhos, o sorriso no canto da boca ou a risada altissonante.
No sábado encontrava-me no aniversário do meu neto de 10 anos, com a mãe de 40 e eu mesma da geração de 45. Minha filha cuidando do bolo, o neto correndo pela casa e eu tentando conversar trivialidades esparsas com as avós escaladas para levarem seus netos para a festa.
Entre o Uber e os aplicativos para pinçar um parceiro para a vida, encontrei poucas diferenças. Algo me diz que eles têm em comum a instantaneidade dos sentimentos.
Na época de polêmicas verbais com meus pais, a palavra farfetch em inglês queria dizer, “você está delirando” ou “buscando uma verdade inexistente, fantasiosa”…
Esqueci o assunto da crônica de hoje. Há alguns dias tive a intenção de colocá-la no papel mas não encontrei nem um rabisco para fazer-me lembrar do tema…
Escrevo com a intenção de lhe contar o que aconteceu com nós mulheres quando você nos incitou à liberdade jogando o seu sutiã no lixo…
Há quem o julgue um andante devaneando, um qualquer. Aparenta andar sem objetivo e direção. Mas, engana-se quem o assim classifica, tanto em português quanto em francês.