Na juventude, tive início profissional em história da arte, fotografia e reporter. Deixei de lado essas possíveis profissões para, durante o tempo que o destino me fez ser empresária porem, sem jamais deixar de me dedicar à escrita anônima. Gosto especialmente de crônicas e de criar histórias através de contos e novelas. Ao longo do tempo, construi uma visão de mundo mais sombria em busca de personagens alinhados às virtudes, às relações afetivas, erros e acertos nas suas vidas, acompanhando seus processos de transformação. Através destes recursos e de um olhar receptivo sobre o pensamento da alma, tento transpor para o papel o Real Cotidiano de todos nós.

Dr. Aranha

O Aranha, como o chamavam na intimidade, não era um homem bom. Tecia sua rede fina e negra por sobre pessoas e fatos. Não maltratava as pessoas, ao contrário, estampava ar de compreensivo, sorria devagar mostrando dentes amarelados, assim como os dedos de nicotina e muito café.

Ressurreição

Ela não era mais tão jovem para sentir tanta saudade dos pais, mas imaginou-os ainda vivos e se entristeceu. Por conta desta tristeza irrecuperável soube ter chegado a hora de visitá-los depois da última vez que chorou à beira dos túmulos ao enterrá-los, vinte e cinco anos atrás.

O Cara

O Cara me ama e odeia, ri da minha cara. É mentiroso, sem educação, sensibilidade zero.  Usa a palavra em profusão, mas não fala; é um cartunista, um fotógrafo, piadista, escritor, músico, saudosista, técnico e muitas vezes, um boca roto.  Às vezes um senhor (a) de idade, solitário. O CARA espalha-se pelo mundo, subentendo-se com…

Do Balcão

Para P.   Os japoneses enrolam o sushi com a mesma elegância com que arrumam um vaso de ikebana ou aparam um bonsai.  Os dedos se movimentam sinuosa e rapidamente enquanto a palma úmida da mão acolhe o arroz para ser enrolado sobre o peixe. Sai um sushi por segundo, simétrico, branco e rosado. Enrolam-…