Na juventude, tive início profissional em história da arte, fotografia e reporter. Deixei de lado essas possíveis profissões para, durante o tempo que o destino me fez ser empresária porem, sem jamais deixar de me dedicar à escrita anônima. Gosto especialmente de crônicas e de criar histórias através de contos e novelas. Ao longo do tempo, construi uma visão de mundo mais sombria em busca de personagens alinhados às virtudes, às relações afetivas, erros e acertos nas suas vidas, acompanhando seus processos de transformação. Através destes recursos e de um olhar receptivo sobre o pensamento da alma, tento transpor para o papel o Real Cotidiano de todos nós.
Existem tanto siglas para identificar nossas doenças do corpo quanto na nossa política doente. (Lembro de estrelas no céu). Não vou parar de escrever para explicá-las. Confio na medicina e suas siglas. O contrário não acontece com a política exercida pelos 32 partidos incapazes de inspirar confiança. As siglas , na medicina, descrevem, em inglês,…
Minha alma, meu coração e o corpo que os contêm silenciam. Todavia, a capacidade de observação e análise, sem conclusões – continua ativa. Talvez, muito influenciada pelo livro de Eliane Brum, Banzeiro Òkòtó, sobre o futuro do nosso planeta que passa pela Floresta Amazônica, penso sobre o nosso dia seguinte. Além de uma escrita de…
Escolhi este título para a minha crônica de hoje porque poético. Recortei-o de um texto do jornal Estado de São Paulo sobre o cenário atual, político, no Chile. Na verdade, também uma crônica de Ariel Dorfman intitulado “O Que Pedem as Pedras no Chile” e lindamente recorda as odes de Pablo Neruda que pedia que…
Volto do cemitério onde enterrei Eliza, querida amiga. Ela era bem mais velha do que eu e sei que vou sentir sua falta todos os dias. Eu a ouvia, atenta aos seus olhos que mudavam de cor. Ora me pareciam azuis, ora verdes, ora violetas. Talvez uma cor para cada estado de espírito. De quando…
Uma mulher precisa ser organizada, seus pertences classificados por itens, conforme o uso.
Para as joias, ela precisa ter pregos, ganchos, fios, caixas e caixinhas para localizar rapidamente qual joia a realçará ao sair de casa. Essa mulher vai pendurar uma corrente no pescoço ou enfiar um anel no dedo e uma pulseira presa ao…
Acordo essa manhã com uma imagem gravada: estamos travando uma guerra com soldadinhos de chumbo. Aqueles que alinhávamos no tapete da nossa casa, os dois lados no combate, os vermelhos e os azuis, uns contra os outros, concretos. Hoje não mais de chumbo, os soldados são figuras invertebradas – sem estrutura humana – que…
Imaginemos a implosão da Acrópole em Atenas. BUUMMMM! Barulho ensurdecedor! Tentem visualizar! O som das antigas pedras e a colunata que as sustentavam despedaçadas em milhões de fragmentos, desmoronando morro abaixo, levando atrás de si um espesso nevoeiro de fumaça de pedra branca como se mil cavalos estivessem galopando, todos ao mesmo tempo para salvarem-se…
… “Ao modelar um novo mundo, ela (a letra) deixa sua marca em todos os lugares. Ela luta com a própria substância que metamorfoseia e com a própria forma que transfigura. Treinadora do homem, a mão o multiplica no espaço e no tempo.” Trecho do “Elogio de la mano” 1934 Henri Focillon Em…
“Mamãe, olha um Papai Noel preto”, exclamou a criança, apontando para ele, embalado numa caixa de celofane, na prateleira do supermercado. Segui o dedo da criança, tão espantada quanto ela, apesar de ter sete vezes mais que sua idade.
Cachorros não falam. Traduzem o silêncio. Cachorros não ocupam um espaço vertical como nós. Eles o ocupam horizontalmente, o que faz deles seres especiais. Deitados ao nosso lado, comandamos amorosamente os diálogos por uma só via.